Esta semana de preparação estava a correr de acordo com o plano, apesar de algum cansaço acumulado de começar um plano novo e exigente como este.
Para o fim da semana comecei-me a sentir mais fraco e meio constipado, e também por motivos de vida social o fim de semana foi sem treinos.
Resultado, cerca de 33km's e algum mau presságio sobre a exigência do plano...
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Treino Ultra-Maratona semana 1
Depois de uma semana de treinos mais calma para recuperar de Óbidos e da entorse, esta semana já foi a doer. Comecei um plano de treinos para o Ultra-Trail Amigos da Montanha ( 61km, 5000m Desnível acumulado).
O plano consiste em 16 semanas, com treinos evolutivos, que visam aumentar a resistência ao tempo passado "em pé".
Não é objectivo nem é esperado melhorar a velocidade, e o fundamento é bastante diferente de treino para uma Maratona, ou de corridas mais curtas e de velocidades mais elevadas.
A base do treino são corridas em ritmo lento longas e em dias consecutivos (em oposição a treino para melhorar velocidade que implica fases de recuperação e treinos de ritmo forte).
Também estão incluídas algumas sessões mais curtas a ritmo de maratona, ritmo de meia-maratona, e alguns intervalos a ritmos de 10k, mas o objectivo destes treinos é o de não perder tanta velocidade com os treinos longos, e não é de esperar melhorias nisto.
Ora, isto quer dizer basicamente que abdico da ideia de fazer tempos melhores nas meias-maratonas e na Maratona do Porto. Vou usar essas provas como treinos com companhia.
Mais detalhes do plano aqui : http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/ultramaratona.htm
Em Óbidos levei um empeno valente nos km's finais, o que me abriu os olhos que o treino de Ultras tem que ser fundamentalmente diferente do de maratonas e corridas de estrada, como gostava MESMO de ir ao UTAM, que é a "disneylandia" do trail, com partes de canoagem, slide, escalada, para disfrutar ao máximo há que estar minimamente preparado.
O objectivo é de cumprir com a barreira horária, de chegar à travessia do rio antes das 16h45.
Bem, de volta a esta semana, foram pouco mais de 70km's distribuídos por 6 treinos no espaço de 7 dias, e ... que empeno senhores ouvintes !
Apesar de há uns tempos ter feito 101km numa semana, estes custaram-me mais...
Não sei se for de ainda não estar completamente recuperado da ultima aventura...
Se foi de ter treinado no sobe e desce maiato...
Se foi de ter usado principalmente sapatilhas minimalistas...
Se foi de ter forçado o ritmo no inicio da semana...
Ou se este treino é demasiado puxado para mim...
De qualquer maneira vou tentar aguentar mais uma semana, e se tudo correr bem, devo conseguir começar a tolerar melhor o treino, senão.... vai ser preciso recalcular a coisa, mas nem quero pensar nisso agora.
O plano consiste em 16 semanas, com treinos evolutivos, que visam aumentar a resistência ao tempo passado "em pé".
Não é objectivo nem é esperado melhorar a velocidade, e o fundamento é bastante diferente de treino para uma Maratona, ou de corridas mais curtas e de velocidades mais elevadas.
A base do treino são corridas em ritmo lento longas e em dias consecutivos (em oposição a treino para melhorar velocidade que implica fases de recuperação e treinos de ritmo forte).
Também estão incluídas algumas sessões mais curtas a ritmo de maratona, ritmo de meia-maratona, e alguns intervalos a ritmos de 10k, mas o objectivo destes treinos é o de não perder tanta velocidade com os treinos longos, e não é de esperar melhorias nisto.
Ora, isto quer dizer basicamente que abdico da ideia de fazer tempos melhores nas meias-maratonas e na Maratona do Porto. Vou usar essas provas como treinos com companhia.
Mais detalhes do plano aqui : http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/ultramaratona.htm
Em Óbidos levei um empeno valente nos km's finais, o que me abriu os olhos que o treino de Ultras tem que ser fundamentalmente diferente do de maratonas e corridas de estrada, como gostava MESMO de ir ao UTAM, que é a "disneylandia" do trail, com partes de canoagem, slide, escalada, para disfrutar ao máximo há que estar minimamente preparado.
O objectivo é de cumprir com a barreira horária, de chegar à travessia do rio antes das 16h45.
Bem, de volta a esta semana, foram pouco mais de 70km's distribuídos por 6 treinos no espaço de 7 dias, e ... que empeno senhores ouvintes !
Apesar de há uns tempos ter feito 101km numa semana, estes custaram-me mais...
Não sei se for de ainda não estar completamente recuperado da ultima aventura...
Se foi de ter treinado no sobe e desce maiato...
Se foi de ter usado principalmente sapatilhas minimalistas...
Se foi de ter forçado o ritmo no inicio da semana...
Ou se este treino é demasiado puxado para mim...
De qualquer maneira vou tentar aguentar mais uma semana, e se tudo correr bem, devo conseguir começar a tolerar melhor o treino, senão.... vai ser preciso recalcular a coisa, mas nem quero pensar nisso agora.
(Sim, estamos em Agosto, mas ao fim da tarde andava um vento e nevoeiro, que estava-me mesmo bem de casaco)
terça-feira, 6 de agosto de 2013
UTNLO - Rescaldo
Terminado o Ultra Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos, e dado o tempo de "reflexão", aqui vai a crónica da prova.
Já chegado à zona da partida, deu-se um mini-briefing sobre a prova. As únicas coisas que consegui reter foram : "Os reflectores são azuis" e "apontem-lhes bem o frontal".
Segue-se a partida simbólica, em que percorremos as ruas da Vila de Óbidos, sob olhares de surpresa dos locais e visitantes da feira medieval, até á porta da Vila.
Segue-se a partida real, e segue o grupo rumo à aventura.
Como ainda havia alguma luminosidade, inicio com o frontal desligado de forma a poupar as pilhas ao máximo. Os primeiros 10km tal como anunciado eram muito técnicos, e com grandes declives, quer em subidas, quer em descidas "unhas negras".
Uma das descidas tinha até sinalização de "descida perigosa" e um voluntário a chamar atenção do pessoal.
Nessa passei ileso, mas numa das seguintes, envolto num grupo de atletas rápidos, deixei-me entusiasmar pela velocidade na descida e pousei mal o pé esquerdo... Ainda dobrou um bom bocado, sairam-me uns palavrões, encostei ao lado do trilho uns segundos a caminhar, e depois continuei, pensando que não seria nada de grave, e que haveria de passar.
O percurso estava marcado com pequenos reflectores azuis, pequenos tipo, moedas de 50 cêntimos, mas que reflectiam muito bem !! Alguns dos atletas com luzes menos potentes queixavam-se um pouco, e algumas vezes tive que chamar por pessoal que estava perdido.
Daqui até à praia, foram uns quilómetros mais tranquilos, com algum sobe e desce, mas já com pouco declive e sem problemas de maior.
Gostei muito das arribas, do som do mar, da brisa marítima, de correr na areia num sobe e desce duna... Ainda antes de chegar à praia, o percurso envolvia descer e subir rochas, atravessar um penhasco e percorrer algo que parecia o leito de um ribeiro.
Nesta fase estava-me a sentir bem, a ter sorte a encontrar os mini-reflectores espalhados na noite, e a passar por alguns atletas que não estavam a gostar da areia da mesma maneira.
Chegados à praia, o percurso entrava no passadiço que percorríamos até um ponto de abastecimento, para depois entrar na "eco-via" da lagoa. Aqui aproveitei para tirar alguma areia que entrou nas sapatilhas, e guardar os gaiters na mochila.
A eco-via é basicamente um estradão de terra batida que circula a lagoa de Óbidos. Passamos por alguns acampamentos, alguns pescadores, um churrasco ...
Na eco-via percorremos alguns kms praticamente planos e sem dificuldades de maior, não fosse já o acumular de kms nas pernas. Nesta altura, e com cerca de 5 horas e meia de prova, a luz do frontal começou a fraquejar, e decidi por trocar pelo de "reserva" ao invés de andar à procura das pilhas suplentes.
Para terminar a visita a lagoa vem o lodo ! Atravessamos literalmente uma vasta zona de algo que me parecia ser areias movediças, ou um pântano, com uma fauna bem ... movimentada, com ruídos bem "interessantes" quando nos aproximávamos.
Aqui foi preciso jogo de equipa, pois era muito fácil darmos por nós enterrados até aos joelhos no lodo, e para sair de lá era preciso ajuda e especial cuidado para não perder as sapatilhas (que desapareciam para as profundezas).
No final do pântano, esperava-nos uma escalada por umas escadas de madeira com cordas até ao ultimo abastecimento antes da meta. A cumprir-se o percurso anunciado faltavam agora 11km para a chegada ! E que km's... Entramos numa zona de vegetação muito fechada, com espaço para passar à justa, e por vezes nem isso, tendo que atravessar mato cerrado e silvas.
A juntar aos quilos de lodo que estavam presos às sapatilhas, às várias passagens por ribeiros, covas, sulcos começavam a desgastar. Voltava o terreno técnico, e os declives acentuados.
A juntar a isto comecei a quebrar mentalmente, a noite, as mais de 6 horas de prova, as dores no pé que tinha torcido quase no início começaram-se a sentir mais, algum mau estar, em que me forçava a ir bebendo água para não desidratar, apesar de já ter dificuldades em aguentar a comida no estômago, foram bastante duras para mim.
Apenas pensava que queria sair dali o mais rapidamente possível, mas não conseguia correr devido ao problema no pé, e já tudo me custava, e começava a sentir-me perdido e com maior dificuldade em encontrar as marcações do percurso.
A bateria do Garmin acabou com 7h38 de prova (nem foi mau ... tendo em conta que o tempo anunciado é de 8 horas, e o relógio já tem 2 anos, a bateria tem-se aguentado muito bem !) a partir desse momento não fazia ideia a quantas andava, só que andava, andava, andava, andava, e não chegava a lado nenhum !
Saindo da mata e atravessando uma estrada, estavam um voluntário que indicava que já falta pouco...
O que restava era apenas subir um monte, descer, subir MUITO, descer por umas escadas horríveis, desalinhadas e irregulares, atravessar um "túnel" onde tinha que ir bastante curvado para não abter com a cabeça, e com água choca pela cintura e ... tornar a subir a muralha de Óbidos (mais escadas)!
FINALMENTE, cheguei ! (e ganhei uma caneca).
MQT à espera ... momento de grande emoção... foi uma daquelas chegadas que apreciei imenso !
Principalmente porque estava terminado e podia finalmente ir dormir :)
A ideia que tinha do UTNLO, pelas opiniões de participantes noutras edições, é que era de uma boa prova para os iniciados nos Ultra-Trails, por ser bastante rolante, com relativamente pouco desnível e dificuldade técnica.
Como já tinha feito dois Ultras antes (Paleozoico e Geira Romana) estava animado em relação ao UTNLO, e a pensar que até poderia fazer um tempo melhorzito e não sofrer muito...
Estava completamente enganado, a edição deste ano contou com mais desnível, mais zonas técnicas, mais dificuldades, e até mais quilometros que o anunciado !
Acabou por ser a minha prova mais dura até ao momento, com 52.6km e cerca de 1500m D+, incluindo os 7km's de areia, e sei lá quantos de lodo.
Cheguei ao fim com 8 horas e meia de prova, tempo que apesar de ser maior do que estimava(antes de saber como era a prova), é algo de agora olhando para trás me orgulho IMENSO.
Apesar de não ser possível comparar tempos de trail, pois cada prova é uma prova, acho que tenho vindo a evoluir, e este resultado mostra isto.
Foi a prova em que participei em que o primeiro classificado demorou mais tempo, e isso mais que a distância ou o acumulado, indica bem a dureza e as dificuldades da prova.
Foi também a prova em que fiquei mais longe do último classificado (os mais ultras chegaram com 10h47 de prova !!!).
Não sei dizer ainda se gostaria de repetir a prova ou não... Mas ainda está bem marcado o sofrimentos dos últimos 10 km's que nunca mais terminavam, e até cresceram mais 2.6 do que o anunciado...
Eu gostei da prova, mas gostaria muito mais se me tivesse aguentado melhor.
Não sei se foi da ideia pré-concebida que esta prova era mais acessível, ou de já não ser a primeira ultra, mas esperava mais de mim... Talvez por isso a quebra mental.
Aproveita-se agora uma pausa para repensar as coisas, e garantir que estou devidamente preparado para a próxima !
Algo também muito positivo, foi a estreia em provas nocturnas. Correr durante a noite já não me assusta, até digo que a noite foi o menor dos meus problemas!
Agora para os geeks de equipamento :
Tudo o que levei funcionou às mil maravilhas.
As sapatilhas da Inov-8 agarram-se a tudo, e ajudaram-me muito em zonas complicadas, mais uma prova em que não caí !
O frontal da LED LENSER é ... BRUTAL ! 200 lumens pela noite fora, até tinha receio que barcos na costa julgassem que era um farol !
5h30 de autonomia com umas pilhas "energizer lithium" parece-me bem. Se não fosse a zona mais complicada das arribas em que tive que ir com o frontal sempre no máximo, estimo que durassem bem mais, pois 50% da luz era mais que suficiente para o resto do percurso.
O único defeito que aponto ao frontal é a fixação não ser muito forte. Aquilo tem uma inclinação regulável, mas nas zonas mais complicadas em que há maiores vibrações, a luz mexe-se e aponta para sítios aleatórios. Li algures na net que se resolve facilmente colocando lá um parafuso e porca para fixar, estou a ponto de tentar.
O frontal da Silva é bom, não falha ! Confortável e funciona bem, nada mexe. Apesar de ser antigo, é de confiança, não fosse ser mais fraco (100 lumens), tinha ido de início com ele.
Já chegado à zona da partida, deu-se um mini-briefing sobre a prova. As únicas coisas que consegui reter foram : "Os reflectores são azuis" e "apontem-lhes bem o frontal".
Segue-se a partida simbólica, em que percorremos as ruas da Vila de Óbidos, sob olhares de surpresa dos locais e visitantes da feira medieval, até á porta da Vila.
Segue-se a partida real, e segue o grupo rumo à aventura.
Como ainda havia alguma luminosidade, inicio com o frontal desligado de forma a poupar as pilhas ao máximo. Os primeiros 10km tal como anunciado eram muito técnicos, e com grandes declives, quer em subidas, quer em descidas "unhas negras".
Uma das descidas tinha até sinalização de "descida perigosa" e um voluntário a chamar atenção do pessoal.
Nessa passei ileso, mas numa das seguintes, envolto num grupo de atletas rápidos, deixei-me entusiasmar pela velocidade na descida e pousei mal o pé esquerdo... Ainda dobrou um bom bocado, sairam-me uns palavrões, encostei ao lado do trilho uns segundos a caminhar, e depois continuei, pensando que não seria nada de grave, e que haveria de passar.
O percurso estava marcado com pequenos reflectores azuis, pequenos tipo, moedas de 50 cêntimos, mas que reflectiam muito bem !! Alguns dos atletas com luzes menos potentes queixavam-se um pouco, e algumas vezes tive que chamar por pessoal que estava perdido.
Daqui até à praia, foram uns quilómetros mais tranquilos, com algum sobe e desce, mas já com pouco declive e sem problemas de maior.
Gostei muito das arribas, do som do mar, da brisa marítima, de correr na areia num sobe e desce duna... Ainda antes de chegar à praia, o percurso envolvia descer e subir rochas, atravessar um penhasco e percorrer algo que parecia o leito de um ribeiro.
Nesta fase estava-me a sentir bem, a ter sorte a encontrar os mini-reflectores espalhados na noite, e a passar por alguns atletas que não estavam a gostar da areia da mesma maneira.
Chegados à praia, o percurso entrava no passadiço que percorríamos até um ponto de abastecimento, para depois entrar na "eco-via" da lagoa. Aqui aproveitei para tirar alguma areia que entrou nas sapatilhas, e guardar os gaiters na mochila.
A eco-via é basicamente um estradão de terra batida que circula a lagoa de Óbidos. Passamos por alguns acampamentos, alguns pescadores, um churrasco ...
Na eco-via percorremos alguns kms praticamente planos e sem dificuldades de maior, não fosse já o acumular de kms nas pernas. Nesta altura, e com cerca de 5 horas e meia de prova, a luz do frontal começou a fraquejar, e decidi por trocar pelo de "reserva" ao invés de andar à procura das pilhas suplentes.
Para terminar a visita a lagoa vem o lodo ! Atravessamos literalmente uma vasta zona de algo que me parecia ser areias movediças, ou um pântano, com uma fauna bem ... movimentada, com ruídos bem "interessantes" quando nos aproximávamos.
Aqui foi preciso jogo de equipa, pois era muito fácil darmos por nós enterrados até aos joelhos no lodo, e para sair de lá era preciso ajuda e especial cuidado para não perder as sapatilhas (que desapareciam para as profundezas).
No final do pântano, esperava-nos uma escalada por umas escadas de madeira com cordas até ao ultimo abastecimento antes da meta. A cumprir-se o percurso anunciado faltavam agora 11km para a chegada ! E que km's... Entramos numa zona de vegetação muito fechada, com espaço para passar à justa, e por vezes nem isso, tendo que atravessar mato cerrado e silvas.
A juntar aos quilos de lodo que estavam presos às sapatilhas, às várias passagens por ribeiros, covas, sulcos começavam a desgastar. Voltava o terreno técnico, e os declives acentuados.
A juntar a isto comecei a quebrar mentalmente, a noite, as mais de 6 horas de prova, as dores no pé que tinha torcido quase no início começaram-se a sentir mais, algum mau estar, em que me forçava a ir bebendo água para não desidratar, apesar de já ter dificuldades em aguentar a comida no estômago, foram bastante duras para mim.
Apenas pensava que queria sair dali o mais rapidamente possível, mas não conseguia correr devido ao problema no pé, e já tudo me custava, e começava a sentir-me perdido e com maior dificuldade em encontrar as marcações do percurso.
A bateria do Garmin acabou com 7h38 de prova (nem foi mau ... tendo em conta que o tempo anunciado é de 8 horas, e o relógio já tem 2 anos, a bateria tem-se aguentado muito bem !) a partir desse momento não fazia ideia a quantas andava, só que andava, andava, andava, andava, e não chegava a lado nenhum !
Saindo da mata e atravessando uma estrada, estavam um voluntário que indicava que já falta pouco...
O que restava era apenas subir um monte, descer, subir MUITO, descer por umas escadas horríveis, desalinhadas e irregulares, atravessar um "túnel" onde tinha que ir bastante curvado para não abter com a cabeça, e com água choca pela cintura e ... tornar a subir a muralha de Óbidos (mais escadas)!
FINALMENTE, cheguei ! (e ganhei uma caneca).
MQT à espera ... momento de grande emoção... foi uma daquelas chegadas que apreciei imenso !
Principalmente porque estava terminado e podia finalmente ir dormir :)
A ideia que tinha do UTNLO, pelas opiniões de participantes noutras edições, é que era de uma boa prova para os iniciados nos Ultra-Trails, por ser bastante rolante, com relativamente pouco desnível e dificuldade técnica.
Como já tinha feito dois Ultras antes (Paleozoico e Geira Romana) estava animado em relação ao UTNLO, e a pensar que até poderia fazer um tempo melhorzito e não sofrer muito...
Estava completamente enganado, a edição deste ano contou com mais desnível, mais zonas técnicas, mais dificuldades, e até mais quilometros que o anunciado !
Acabou por ser a minha prova mais dura até ao momento, com 52.6km e cerca de 1500m D+, incluindo os 7km's de areia, e sei lá quantos de lodo.
Cheguei ao fim com 8 horas e meia de prova, tempo que apesar de ser maior do que estimava(antes de saber como era a prova), é algo de agora olhando para trás me orgulho IMENSO.
Apesar de não ser possível comparar tempos de trail, pois cada prova é uma prova, acho que tenho vindo a evoluir, e este resultado mostra isto.
Foi a prova em que participei em que o primeiro classificado demorou mais tempo, e isso mais que a distância ou o acumulado, indica bem a dureza e as dificuldades da prova.
Foi também a prova em que fiquei mais longe do último classificado (os mais ultras chegaram com 10h47 de prova !!!).
Não sei dizer ainda se gostaria de repetir a prova ou não... Mas ainda está bem marcado o sofrimentos dos últimos 10 km's que nunca mais terminavam, e até cresceram mais 2.6 do que o anunciado...
Eu gostei da prova, mas gostaria muito mais se me tivesse aguentado melhor.
Não sei se foi da ideia pré-concebida que esta prova era mais acessível, ou de já não ser a primeira ultra, mas esperava mais de mim... Talvez por isso a quebra mental.
Aproveita-se agora uma pausa para repensar as coisas, e garantir que estou devidamente preparado para a próxima !
Algo também muito positivo, foi a estreia em provas nocturnas. Correr durante a noite já não me assusta, até digo que a noite foi o menor dos meus problemas!
Agora para os geeks de equipamento :
Tudo o que levei funcionou às mil maravilhas.
As sapatilhas da Inov-8 agarram-se a tudo, e ajudaram-me muito em zonas complicadas, mais uma prova em que não caí !
O frontal da LED LENSER é ... BRUTAL ! 200 lumens pela noite fora, até tinha receio que barcos na costa julgassem que era um farol !
5h30 de autonomia com umas pilhas "energizer lithium" parece-me bem. Se não fosse a zona mais complicada das arribas em que tive que ir com o frontal sempre no máximo, estimo que durassem bem mais, pois 50% da luz era mais que suficiente para o resto do percurso.
O único defeito que aponto ao frontal é a fixação não ser muito forte. Aquilo tem uma inclinação regulável, mas nas zonas mais complicadas em que há maiores vibrações, a luz mexe-se e aponta para sítios aleatórios. Li algures na net que se resolve facilmente colocando lá um parafuso e porca para fixar, estou a ponto de tentar.
O frontal da Silva é bom, não falha ! Confortável e funciona bem, nada mexe. Apesar de ser antigo, é de confiança, não fosse ser mais fraco (100 lumens), tinha ido de início com ele.
sábado, 3 de agosto de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
UTNLO
É já amanhã o dia de mais um Ultra-Trail.
Tenho que admitir que estou com alguma ansiedade, julgo que vai ser uma prova espectacular !!
Estou curioso para ver se evoluí alguma coisa desde a Geira Romana, que tal me aguento à noite, e se a logística não me falha.
Em relação ao traçado, tenho algumas reservas na parte da areia, que facilmente pode ser bem mais complicada de transpor que o esperado.
Tenho que admitir que estou com alguma ansiedade, julgo que vai ser uma prova espectacular !!
Estou curioso para ver se evoluí alguma coisa desde a Geira Romana, que tal me aguento à noite, e se a logística não me falha.
Em relação ao traçado, tenho algumas reservas na parte da areia, que facilmente pode ser bem mais complicada de transpor que o esperado.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Ultra-Trail Nocturno Lagoa de Óbidos
Faltam poucos dias para o "UTNLO", desta vez não repito a lenga lenga de que é o maior desafio a que me proponho a nível de trail, lálálá, mas se não é, está bem equiparado, contando ainda com uma estreia, é uma prova inteiramente nocturna !!
O cenário é a Vila de Óbidos, a lagoa e a Foz do Arelho vistos através da iluminação do "mineiro" que vai na testa, que é como quem diz, apenas 5 metros à frente do nariz ...
Não posso negar que algum nervoso miudinho começa a aparecer, mas apesar da logística acrescida, tenho para mim que vou sair de lá com histórias para contar !
O objectivo são as 9 horas de tempo limite, talvez consiga fazer menos, mas os km's em arribas e areia são algo que pode demorar bastante tempo, e desgastar muito as energias para o caminho restante ...
Aqui fica uma espreitadela do desafio.
Partida:
Concentração no local habitual (Largo do jogo da bola), com partida simbólica percorrendo as ruas da vila de Óbidos em pelotão até à porta da Vila onde será dada a partida oficial.
Até ao km5:
Saída em direcção ao lugar do Pinhal passando pelo parque da vila em percurso fácil para esticar o pelotão. Depois da ponte da passagem de nível seguimos em frente coincidindo com o regresso dos anos anteriores durante cerca de 400m. A seguir vamos entrar em caminhos rurais e iniciar uma subida longa mas suave até à entrada da aldeia do Sobral da Lagoa (4km). Alterna caminhos com carreiros na floresta. No Sobral, vamos percorrer as ruas estreitas e sinuosas da aldeia até à saída (Km5).
Do 5º a 8º km.
Ao sair do Sobral por um caminho rural, vamos virar à esquerda para mais um carreiro de acesso à fonte fazendo de seguida a subida de forte inclinação até ao cemitério. A partir daqui percorremos a parte com maior dificuldade técnica do percurso. Temos inicialmente uma descida pelo trilho de forte inclinação que de deve ser feita com muito cuidado (declive é acentuado e técnico), até à pedreira. Atravessamos o rio e iniciamos de imediato a subida até ao talefe. Esta de início sem grande inclinação e trilho mal definido, irá depois subir pelo trilho de BTT, subida sem dificuldades de maior. A descida que se segue inicia-se de forma suave, mas a sua parte final exige algum cuidado devido ao forte declive. Pouco depois vamos encontrar o 1º abastecimento e separação entre as duas provas.
Km8 – km 21 – A partir da separação os ultras vão ter pela frente uma nova subida não muito acentuada, mas longa. Os primeiros 10km estão feitos, e com eles ficam para trás os maiores desníveis. Agora é rolar por caminhos florestais e carreiros apenas com uma subida um pouco mais dura por volta dos 13km. E quase sem darmos por isso, estamos junto da urbanização da Praia Del-Rei.
Vamos agora iniciar a volta a esta urbanização, percorrendo pinhais e hortas do Ferrel já a ouvir o mar em fundo. Chegados às arribas, não mais deixaremos de ter o mar à vista (se a noite o permitir). Mas como estes 7 km de arribas são um pouco desgastantes, antes de o iniciarmos é melhor abastecer bem (2º abastecimento ao km 21km)
Km21- km29
– Os kms que se seguem associam alguma dificuldade técnica ao prazer em percorrer 7 kms de excepcional beleza. À noite os cheiros e os sons do mar vão seguramente ficar na memória. Como é noite e não vai dar para visualizar as paisagens, é aconselhável seguir com os olhos bem abertos para ultrapassar alguns obstáculos que vamos encontrando e não tropeçar nas pedras e arbustos. O percurso associa carreiros bem definidos, com certas zonas de trilho indefinido e algumas zonas de areia fina. Ao chegar à praia do Rei Cortiço, falta menos de 1 km para deixarmos as arribas, mas antes ainda temos de seguir até ao alto do Gronho, onde podem parar um pouco para ver a paisagem nocturna da Lagoa de Óbidos, com a Foz do Arelho do outro lado. De seguida é descer a duna até à praia e seguir pela areia, entrar no passadiço e estamos no 3º Abastecimentos (praia dos Pescadores).
Km29 – km39 – As dificuldades por agora acabaram. Chegou a vez dos roladores entrarem nos seus terrenos. Vamos rolar na pista totalmente plana até ao próximo abastecimento. Apenas uma pequena dificuldade, provavelmente vamos ter que molhar um pouco os pés para lá chegar. Cerca de 500m antes do 4º abastecimento os percursos das duas provas voltam a encontrar-se. Atravessamos a ponte pedonal e subimos ao parque de merendas onde se encontra o abastecimento.
Km39 – km50
– Ao sair do abastecimento cuidado com a descida até à lagoa. Continuamos a ter a Lagoa de Óbidos por companhia durante cerca de 2 km, até chegar a um canavial e atravessar o rio da cal. Aqui seguimos ao longo do rio num túnel de caneiras, seguindo depois em direção a Óbidos por caminhos florestais, mas… ainda vamos ter pela frente a travessia de um pequeno monte carregado de história (pré) – Outeiro da Assenta(1). Já avistamos o castelo, mas ainda vamos à ermida de Santo Antão, mesmo com o Castelo ali ao lado. É só descer a escadaria, seguir junto à estação à direita da linha de comboio (não atravessar passagem de nível), até um pouco antes da estação de tratamento. Aqui vamos atravessar a linha por um Túnel onde poderá haver alguma água para lavar as sapatilha e… falta só um km para cruzar a porta da meta, seguimos a linha de água até iniciar o assalto ao castelo, mas a subida ainda vai doer um pouco antes de passar a porta da traição que no caso será a porta dos grandes vencedores.
O cenário é a Vila de Óbidos, a lagoa e a Foz do Arelho vistos através da iluminação do "mineiro" que vai na testa, que é como quem diz, apenas 5 metros à frente do nariz ...
Não posso negar que algum nervoso miudinho começa a aparecer, mas apesar da logística acrescida, tenho para mim que vou sair de lá com histórias para contar !
O objectivo são as 9 horas de tempo limite, talvez consiga fazer menos, mas os km's em arribas e areia são algo que pode demorar bastante tempo, e desgastar muito as energias para o caminho restante ...
Aqui fica uma espreitadela do desafio.
Descrição do percurso UTNLO
Concentração no local habitual (Largo do jogo da bola), com partida simbólica percorrendo as ruas da vila de Óbidos em pelotão até à porta da Vila onde será dada a partida oficial.
Até ao km5:
Saída em direcção ao lugar do Pinhal passando pelo parque da vila em percurso fácil para esticar o pelotão. Depois da ponte da passagem de nível seguimos em frente coincidindo com o regresso dos anos anteriores durante cerca de 400m. A seguir vamos entrar em caminhos rurais e iniciar uma subida longa mas suave até à entrada da aldeia do Sobral da Lagoa (4km). Alterna caminhos com carreiros na floresta. No Sobral, vamos percorrer as ruas estreitas e sinuosas da aldeia até à saída (Km5).
Do 5º a 8º km.
Ao sair do Sobral por um caminho rural, vamos virar à esquerda para mais um carreiro de acesso à fonte fazendo de seguida a subida de forte inclinação até ao cemitério. A partir daqui percorremos a parte com maior dificuldade técnica do percurso. Temos inicialmente uma descida pelo trilho de forte inclinação que de deve ser feita com muito cuidado (declive é acentuado e técnico), até à pedreira. Atravessamos o rio e iniciamos de imediato a subida até ao talefe. Esta de início sem grande inclinação e trilho mal definido, irá depois subir pelo trilho de BTT, subida sem dificuldades de maior. A descida que se segue inicia-se de forma suave, mas a sua parte final exige algum cuidado devido ao forte declive. Pouco depois vamos encontrar o 1º abastecimento e separação entre as duas provas.
Km8 – km 21 – A partir da separação os ultras vão ter pela frente uma nova subida não muito acentuada, mas longa. Os primeiros 10km estão feitos, e com eles ficam para trás os maiores desníveis. Agora é rolar por caminhos florestais e carreiros apenas com uma subida um pouco mais dura por volta dos 13km. E quase sem darmos por isso, estamos junto da urbanização da Praia Del-Rei.
Vamos agora iniciar a volta a esta urbanização, percorrendo pinhais e hortas do Ferrel já a ouvir o mar em fundo. Chegados às arribas, não mais deixaremos de ter o mar à vista (se a noite o permitir). Mas como estes 7 km de arribas são um pouco desgastantes, antes de o iniciarmos é melhor abastecer bem (2º abastecimento ao km 21km)
Km21- km29
– Os kms que se seguem associam alguma dificuldade técnica ao prazer em percorrer 7 kms de excepcional beleza. À noite os cheiros e os sons do mar vão seguramente ficar na memória. Como é noite e não vai dar para visualizar as paisagens, é aconselhável seguir com os olhos bem abertos para ultrapassar alguns obstáculos que vamos encontrando e não tropeçar nas pedras e arbustos. O percurso associa carreiros bem definidos, com certas zonas de trilho indefinido e algumas zonas de areia fina. Ao chegar à praia do Rei Cortiço, falta menos de 1 km para deixarmos as arribas, mas antes ainda temos de seguir até ao alto do Gronho, onde podem parar um pouco para ver a paisagem nocturna da Lagoa de Óbidos, com a Foz do Arelho do outro lado. De seguida é descer a duna até à praia e seguir pela areia, entrar no passadiço e estamos no 3º Abastecimentos (praia dos Pescadores).
Km29 – km39 – As dificuldades por agora acabaram. Chegou a vez dos roladores entrarem nos seus terrenos. Vamos rolar na pista totalmente plana até ao próximo abastecimento. Apenas uma pequena dificuldade, provavelmente vamos ter que molhar um pouco os pés para lá chegar. Cerca de 500m antes do 4º abastecimento os percursos das duas provas voltam a encontrar-se. Atravessamos a ponte pedonal e subimos ao parque de merendas onde se encontra o abastecimento.
Km39 – km50
– Ao sair do abastecimento cuidado com a descida até à lagoa. Continuamos a ter a Lagoa de Óbidos por companhia durante cerca de 2 km, até chegar a um canavial e atravessar o rio da cal. Aqui seguimos ao longo do rio num túnel de caneiras, seguindo depois em direção a Óbidos por caminhos florestais, mas… ainda vamos ter pela frente a travessia de um pequeno monte carregado de história (pré) – Outeiro da Assenta(1). Já avistamos o castelo, mas ainda vamos à ermida de Santo Antão, mesmo com o Castelo ali ao lado. É só descer a escadaria, seguir junto à estação à direita da linha de comboio (não atravessar passagem de nível), até um pouco antes da estação de tratamento. Aqui vamos atravessar a linha por um Túnel onde poderá haver alguma água para lavar as sapatilha e… falta só um km para cruzar a porta da meta, seguimos a linha de água até iniciar o assalto ao castelo, mas a subida ainda vai doer um pouco antes de passar a porta da traição que no caso será a porta dos grandes vencedores.
domingo, 21 de julho de 2013
10º Porto a subir
Já ano passado tinha ficado curioso em relação a esta prova, desta vez fui mesmo !!
Ainda esperei a ver se apareciam online fotos de alguns dos fotógrafos que estavam pelo percurso, mas nada :(
Em resumo, a prova é espectacular ! Duas subidas cronometradas por duas das escadarias mais emblemáticas da cidade do Porto, da Ribeira até à Sé.
Na primeira subida pelas escadas dos Guindais, comecei a todo o vapor, e a menos de alguns segundos em que comecei a ouvir um apito (que mais tarde reparei que era a minha respiração) continuei na escalada ficando bastante bem classificado, a cerca de meio da tabela.
Após a chegada de um sprint deste género, aparecem algumas tonturas, e uma sensação estranha na garganta, tipo arranhada tal a violência da respiração. Ainda bem que não levei cardiofrequencimetro senão ainda me assustava.
Após uma garrafa de água, e alguns segundos para recuperar, toca a enfrentar a segunda subida, esta pelas escadas do Codeçal. A mesma altimetria, mas escadas mais agressivas, degraus mais altos e maior inclinação.
Aqui as sensações já não foram tão boas, não comecei mal, mas depois cortei um pouco ainda a pensar nas "ouras" com que fiquei na primeira subida, o que me fez perder algumas posições na tabela. Ainda assim fico orgulhoso do meu esforço.
Em resumo foi uma manhã diferente, e por 3€ vim para casa com um treino de pernas, uma tshirt de corrida (bem gira !!!), 2 garrafas de água, e 3 pacotes de leite :D
Uma prova sem dúvida a repetir !
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